24 de out de 2010

Se o amor se vai...


Vi dia desses uma cena no mínimo pitoresca, não fosse o nível de reflexão a que me levou...
Em nossa cidade acontecia o Festara (festival de teatro promovido pela Secretaria de Cultura), o que me fez olhar para todos os lados, pois achei mesmo estar presenciando uma daquelas encenações ao ar livre que vi serem anunciadas na TV e nos jornais...
Pois surpresa!
Eu estava presenciando uma linda e verdadeira cena de amor em plena ruazinha do bairro Paraíso.
Não sei afirmar se os protagonistas eram mendigos, mas vi que eram quase maltrapilhos: ambos com roupas não sujas, mas de um encardido marrom pela lavagem quase sem sabão. Os cabelos dela certamente há muito não recebia a visita de um pente e ele escondia essa necessidade dentro de um velho boné.
Vale dizer que só atentei para os detalhes depois que a cena de amor me tocou...
Lembro que ao entrar em meu carro ouvi uma voz feminina num português mal falado:
- Ce ta minguinorano? Qui qui eu te fiz?
- Pára sua tonta...larga de bestage...
- Num é bestage...ce sumiu...(lágrimas...)...num qué mais nada cumigo?
- Fala!!! (tabefes em plena rua...) safado! Sem-vergonha...
- Pára muié...tão rino da gente...
Aí ela se descontrola injuriada pela tranquilidade dele:
- Ce sabe que gosto docê..ce sabe...(gritos e mais lágrimas...)
Como as demais pessoas que por ali passavam parei meu carro e fiquei presenciando,só não sei se alguém foi reportado como eu a outras situações...
Ali eu visualizei que o amor realmente transpõe fronteiras,está acima das questões sociais,religiosas,físicas,estéticas,etc,etc,etc...
Não fiquei ali e não vi o desfecho da história (eu me atrasaria para o trabalho),mas confesso que espero encontrar por aí aquela mulher verdadeira e segura do amor pelo seu homem,de braços dados mostrando que vale a pena gritar aos quatro ventos o que lhe vai na alma e transpassa o coração.
Não tem feijão na panela?
Água e luz estão cortados faz tempo?
Roupas,só as que se ganham?
Falta isso ou aquilo?
Certamente nada disso terá importância se ao lado dela estiver seu amado dando-lhe força e ânimo para confiar que dias melhores certamente virão...
Saí muito “mexida” dali e foi inevitável pelo resto do dia cantarolar a musica do rei Roberto:





OBSERVAÇÃO:Clique e leia esse texto no blog amigo:

Araçatuba e Região



* Sou Marisa Mattos,professora,atuando  9 anos como Coordenadora Pedagógica na Rede Municipal de Ensino de Araçatuba.Blogueira,pescadora que só conta a verdade...rs...feminina,tia corujíssima e apaixonada pela EDUCAÇÃO.

14 comentários:

Leonardo Lourenço disse...

Sensacional o seu texto viu. Meus parabéns!

Zezinha Sousa disse...

Olá, Marisa, obrigada pela visita. Que bom que se identificou com o meu poema, querida, estamos vivendo momentos parecidos então. Amei a crônica da vida real. Tb ficaria impressionada se tivesse presenciado um fato assim. Volta mais vezes. Bjos!!!

Lucimara Souza disse...

Olá,
Obrigada pelas visitas...
Acompanhe sempre! Eu atualizdo às sextas-feiras...
Bjão!

Sil.. disse...

Marisa,

Realmente minha amiga, o amor esta acima de tantas coisas...

Tentar definir, entender, é tão dificil.
Eu tbm ficaria impressionada rs!

Saudadeeeeee de ti, minha querida!

Um abraço grande!

Lua Nova disse...

Entendo bem o que vc sentiu, eu acho, se bem que há sentimentos que remetem a experiências muito íntimas. Mas consigo entender sua enternecida reação. O amor realmente não tem nenhum tipo de padrão, de pre-requisito, de qualquer preconceito, não é? É uma necessidade humana, seja lá que humano for. E como é bom tê-lo pra confortar a alma e amenizar as agruras da vida.
Adorei ouvir o rei. Ele é inigualável e adorável.
Um bom momento estar aqui. Obrigada.
Beijokas, minha queida Marisa.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Marisa, minha querida amiga. Muito fôfo esse fraglante que você presenciou. O mais importante é o que a sua sensibilidade conseguiu transcrever. Adorei a postagem, professora.
Beijocas com carinho.
Manoel.

joao disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Silvana disse...

Marisa, ameiiiiiiiiii o seu texto!!!!! Acho que você poderia amadurecer a ideia de inscrevê-lo em algum concurso literário!!!!!!!
Você conseguiu fazer com que uma cena que poderia ser ignorada por tantos, dada a condição dos protagonistas, provocasse reflexões tão profundas!!! Parabéns!!!!!

Da amiga

Silvana

Simône Silva disse...

Nossa que bela história de amor.
Pena que nem sempre é valorizado...
Ei e nossa pescaria quando sai?
Acho que irei pescar um pacu no Pão de açucar e lhe convido para saborea-lo rsrsrsrsrs

Poliana Fonteles disse...

lindo, triste , involvente... amei estar aqui...

Simône Silva disse...

Como faço para participar deste Cia?
Olha meu ex. professor quer organizar um encontro entre Blogueiros. dia 2 de mais de 2008 ele fez o primeiro encontro foi divertido.....
Se der certo te comunicarei...

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

Marisa, aquele papo do meu texto Velho no blog, foi só papo furado. Obrigado por me prestigiar, querida.Quanto à música QUANDO O AMOR SE VAI, pertenço ao AMIGOS DA SERESTA e outro dia na praça João Pessoa, cantei a música, por sinal, linda e fui aplaudido de pé...tinha gente sem banco pra sentar. Olha, dia 19/11 tem raízes do samba na praça joao pessoa-8h. e dia 27/11 tem no senac-8hs- tributo aos astros do amanhã, com os próprios. Compareça e leve a tchurma.

Poliana Fonteles disse...

lindo, triste , involvente... amei estar aqui...

Silvana disse...

Marisa, ameiiiiiiiiii o seu texto!!!!! Acho que você poderia amadurecer a ideia de inscrevê-lo em algum concurso literário!!!!!!!
Você conseguiu fazer com que uma cena que poderia ser ignorada por tantos, dada a condição dos protagonistas, provocasse reflexões tão profundas!!! Parabéns!!!!!

Da amiga

Silvana